quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Soneto do Amor Total


Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.



Parabéns a nós dois!

Ontem, mais precisamente às 22:40h, eu completei 20 anos, e o tio Vini, se estivesse aqui, completaria 99. Minha felicidade maior é saber que ele vive entre nós nas letras e canções que escreveu e sobretudo na inspiração que ainda produz. Compartilho com vocês aquele que eu considero o seu mais lindo soneto (talvez seja por causa do meu tio quer eu seja uma româtica incurável!). Parabéns a Vinícius de Moraes. Apreciem!



Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Eu não existo sem você



Eu sei e você sabe,
já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo
levará você de mim
Eu sei e você sabe
que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A complicada arte de ver

Por: Rubem Alves

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca“. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões e é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.
Fotografia de Eduardo Guilhon A complicada arte de ver
Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver“.
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
William Blake sabia disso e afirmou: A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê“. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.
Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra“. Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. “Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios“, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori“, a abertura do “terceiro olho“. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram“.
Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram“. Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção“: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa (garrafa, prato, facão) era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção“.
A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Fotografia de Guilhon A complicada arte de ver
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as tem na mão e olha devagar para elas“.
Por isso (porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver) eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos“…
Texto de Rubem Alves, educador, escritor. Livros novos para crianças e adultos-crianças: “Os Três Reis” (Loyola) e “Caindo na Real: Cinderela e Chapeuzinho Vermelho para o Tempo Atual” (Papirus). Pode aceder ao seu site em www.rubemalves.com.br

Olá!

A minha última postagem data de 9 de junho...
Muito tempo, não?
De lá para cá muita coisa aconteceu na minha vida, mas fazer aquilo que eu gosto continua em mim; quem me conhece sabe que o que eu gosto mesmo é de estar aqui, escrevendo, essa é a minha essência. Talvez não seja o que faço de melhor, mas com certeza o que mais amo fazer; é uma das coisas que me enchem de prazer e alegria. Não vale a pena correr tanto na vida e não nos dedicarmos àquilo que nos dá contentamento verdadeiro, pois:
"Quando a gente vai procurar o que fazer dentro da gente, acontece uma coisa incrível! A gente sempre acaba fazendo o que gosta e fazer o que a gente não gosta é o pior emprego do mundo. Pegar esse "aparelho", que pisca, que ri, que chora, e colocar para trabalhar  no que ele não gosta, é um "deserviço" pro espírito!"   Hélio Leites 

É isso!
Ah, e quero dedicar este mês ao Vinícius de Moraes, o tio Vini, que completaria idade nova na data do meu aniversário. Compartilharei com vocês algumas poemas e sonetos dele que eu adoro. Abraço a todos  e que O Eterno esteja sempre com vocês!

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Queda da criação

Rejeição do plano de Deus

   As sentenças recebidas pelo homem e pela mulher na hora da queda afetaram não só o relacionamento entre ele, mas também sua relação com Deus e com a natureza. O julgamento que se seguiu não está necessariamente ligado à natureza do pecado cometido. O pecado e suas consequências trágicas e de longo alcance não forçaram um cancelamento dos planos do Criador. Como resultado da queda, sofrimento foi acrescentado ao nascimento de uma criança, tirania à liderança, rebelião à submissão e problemas no trabalho, bem como a separação nos relacionamentos destinados à união.
    A mulher tem particular interesse no juízo duplo proferido em Gn 3.16. A sentença para a mulher foi "sofrimento na gravidez". A gravidez, em si, não é uma condenação. Os filhos são herança e recompensa do Senhor. Ao dar à luz, a mulher tem a oportunidade de dar as mãos ao Criador na multiplicação da humanidade. Imaginar uma fgestação sem dificuldadeds é difícil, mas aparentemente esse era o plano original do Criador.
    A segunda parte da sentença - "o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará" - é descrito nas dolorosas consequências do pecado no relacionamento entre marido e mulher. Tanto um como outro escolheram ignorar os planos do Criador e fazer as coisas à sua maneira. Os papéis de complementaridade do homem e da mulher, que originalmente funcionaram para produzir harmonia e unidade, seriam dali em diante fonte de atritos. O plano de Deus não mudou. No entanto, a mulher teria uma tendência pecaminosa a desrespeitar o papel de liderança do homem, e ele, em sua pecaminosidade, teria a tendência de abusar de sua autoridade e até de subjugar a mulher.
    As mulheres e os homens cristãos apendem princípios claros para conter esses efeitos do pecado e para relembrar sua igualdade de valor como pessoas, na complementaridade e no relacionamento harmonioso para o qual foram criados.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Solidão

Jamais solitário

    Antes de criar Eva, Deus disse à Adão: "Não é bom que o homem esteja só". Embora, na realidade, não estivesse sozinho [os animais estavam lá]. Adão estava incompleto sem uma companhia humana. O mais importante propósito de Deus para seu povo é o relacionamento com Ele e de uns para com os outros.À parte dessa comunhão, só existe solidão e isolamento, como Adão e Eva descobriram quando desobedeceram a Deus.
    A solidão como resultado de relacionamentos rompidos não é o mesom que ficar só de vez em quando. Para ter um relacionamento íntimo e profundo com Cristo, é preciso apartar-se periodicamente do convívio com os demais e ter um encontro com Ele. Essa solidão com Cristo é desejável e muito diferente da dor do isolamento. Jamais estamos realmente sós por causa do nosso amigo Jesus.
    Jesus experimentou a solidão quando foi tentado no deserto, quando viajou e quando seus discípulos o abandonaram. Contudo, Ele ficou só apenas uma vez - quando, na cruz, foi feito pecado por nós.